.: PRA VIAGEM :.

12.3.06

Cimetière du Pére Lachaise, Paris

Parece sinistro visitar um cemitério quando se está fazendo turismo, certo ? Errado, quando se trata do cemitério mais badalados dos últimos tempos ! E olha que ele já está lá desde 1804, quando Napoleão mandou construir na época da guilhotina. Pegando a rua principal até o fim, você encontra o Monumento aos Mortos, e é a partir dali que começam as escadarias e ladeiras, que formam um labirinto onde você viaja no tempo. E até coisas como paquera rolam por ali... senti que estava sendo seguida e parei... o homem me pergunta:

-Você fala francês ?
- Só um pouco. Mas, falo inglês.
- De qual país vc é ?
- Brasil.
- Ah, é por isso. Você é linda !
.....
Sorri, virei em outra rua, e continuei a minha caminhada.

Aliás, caminhar pelas alamedas arborizadas do Pére Lachaise em Paris, é um programa super interessante. Você vai subindo as escadas, desviando as ladeiras e dando de cara com túmulos de pessoas muito, muito famosas. É um dos maiores pontos turísticos de Paris, e um dos túmulo mais cobiçado é o Jim Morrison do The Doors (foto à esquerda), sempre rodeado por fãs e curiosos (como eu), mas o túmulo é tão assim, pobrezinho, que quase não se acha. Ao redor dele os fãs ficam tocando e cantando os sucessos do The Doors. Festa gótica !

Mesmo com o mapa (vendido na banquinha em frente à saída do metrô por 4 euros), é muito fácil se perder, mas não importa, você vai sempre acabar encontrando um túmulo "interessante" nos formatos mais exóticos possíveis.

Nem só celebridades estão enterradas por lá, mas também os ricos de Paris. Aquilo lá deve ser uma festa das almas. Bombante ! Aliás, o cemitério tem uma atmosfera festiva. Quem está enterrado por lá, além do Jim: Oscar Wilde (o túmulo mais bonito na minha opinião), Chopin, Moliére, Balzac, Alan Kardec, os amantes da Notre Dame - Abelardo e Heloísa,Edith Piaf, Sarah Bernhardt... por aí vai. Cada túmulo uma história.


Ao lado do túmulo do Alan Kardec (foto à direita), há sempre uma fila de pessoas esperando a sua vez para fazer uma prece do lado direito do túmulo. As pessoas vão lá, colocam a mão na cabeça da imagem de Kardec e rezam, agradecem, pedem. É um ritual. E o túmulo, em forma de dólmen, está sempre cercado de flores. Fiquei na fila, rezei, e ele me ouviu.

Um dos túmulos mais visitados pela mulhereada que quer ter filhos é o do jornalista Victor Noir, corre a lenda que a mulher que tocar nas "partes íntimas" que aparece em grande volume na estátua de bronze que retrata o morto, ficará grávida logo, logo, já que isso ajudaria na fecundidade. Como eu não estava com esse "desejo", deixei passar batido esse ritual !

O túmulo do Chopin (foto à esquerda)é muito procurado por novos artistas que procuram sucesso. Dizem que ele atende aos "pedidos" de quem quer progredir na carreira da música. Pra mim, é um dos túmulos mais bonitos !

No fim do cemitério esta o Colombarium (fotos abaixo), ou o crematório. Com um um paredão de gavetas onde se deposita as cinzas, entre elas a da bailarina Isabela Duncan.







Dicas:
- Para chegar lá, vá da forma mais prática: metrô. Saia na estação Pére Lachaise, atravesse a rua na faixa depois da banca de revista, siga em frente até o portão de entrada do cemitério.
- Não esqueça de levar uma garrafinha d'água, pois você vai andar muito, e lá dentro não tem onde matar a sede. Se for no verão, é muito quente.
- Vá de tênis bem confortável. As ruas do cemitério são cheias de pedrinhas e com ladeiras em todos os lados.

11.3.06

Parque Ecológico do Janauary, AM

Com 9 mil hectares e situado próximo à cidade de Manaus, o Lago do January (como é mais conhecido na região) possui matas de terra firme, várzea e igapós.


Para chegar até o Parque, você pega um barco regional no porto de Manaus, e de lá segue para o flutuante localizado na entrada do Lago. Você é recebido pelos moradores da região, chamados ribeirinhos, e embarca numa canoa rumo ao coração da floresta. A primeira visão é inesquecível: o lago completamente tomado pelas vitórias-régia.

A vitória-régia recebeu esse nome em homenagem à Rainha Vitória da Inglaterra, e foi dado por um cientista inglês, obviamente. São plantas que crescem em água rasa e sem correnteza. Sua face inferior possui espinhos para proteger a planta dos peixes predadores. Durante a época de seca dos rios amazônicos, ela praticamente desaparece.

Continuando nosso passeio de canoa, adentramos a área dos igapós, que são área permantemente inundadas com uma vegetação de raízes sempre embaixo da água. Eu, particularmente, acho uma delícia passear pelas sombras dos igapós. Na área do Janauary é possível ver vários tipos da flora amazônica, tipos e mais tipos de árvores, até mesmo aquelas com madeiras mais nobre. A fauna local também surpreende, logo na entrada os moradores ribeirinhos se aproximam em canoas mostrando cobras, preguiças, araras, em troca de um dinheiro. E, o mais impressionante é a coragem dos curimins de segurar uns bichos desses !

O som da floresta é encantador, mas descobrir que por ali se escondem as lendárias anacondas, dá um certo ar de tensão. Sei lá se isso é só lenda ? Os guias locais "enfeitam" muito as estórias, mas acaba sendo divertido ver árvores tipo essa aqui de baixo, com um furo enorme creditado a anaconda.


A canoa nos leva de volta ao flutuante, que também é um restaurante, onde você pode comprar artesanato indígena por preços ótimos, bem mais em conta do que em Manaus. O passeio é lindíssimo, e na volta ainda temos a oportunidade de apreciar o por-do-sol no meio do Rio Negro.

Importante: Esse passeio só pode ser feito através das agências credenciadas, já que o Janauary é uma área de preservação. Não caia no conto dos guias alternativos, não embarque em canoa furada (literalmente)! A amazônia sem segurança, pode ser bem perigosa !

A agência que nos levou ao Janauary foi a Fontur, situada no Tropical Hotel Manaus. A única coisa que percebi de chato foi que o nosso guia falava dos atrativos em português por 15 minutos, e quando tinha que falar em inglês só dizia o básico, tipo 2 minutos. Uma pena pros gringos que estavam lá.

10.3.06

Beberibe, CE

Lembram da Praia dos Anjos do programa "No Limite" ? Nada mais era do que Beberibe. Cenário de novelas globais (o hit "a noite vai ter lua cheia"...da Acuçena de Tropicaliente), fica a 93km de Fortaleza. A cidade em si, é na realidade um vilarejo com muitos hotéis em construção. Durante o carnaval os seus moradores alugam suas casas para os foliões e cidade fica lotada.

Nossa chegada em Beberibe foi na famosa praia de Morro Branco. Mal estacionamos o carro alugado, e já fomos abordados pelos bugueiros (que fazem passeios pelas falésias e dunas). Negociamos com ele, e por 20 reais pra cada uma, resolvemos fazer o passeio até a Praia das Fontes.

Andar de bugue e tentar tirar foto, não é coisa fácil. Isso foi comprovado. Mas, o vento na cara, e aquele visual do mar de Beberibe, é igual comercial mastercard: não tem preço.

Nossa primeira parada foi no Labirinto das Falésias de Morro Branco (foto abaixo). O bugueiro nos deixou com um dos guias do lugar e ficamos quase uma hora caminhando pelas falésias abertas, e pulando das erosões. A areia colorida é linda, é dela que são feitos aqueles vidrinhos com areia desenhado que você ganha de todo mundo que vai ao nordeste ! Muito importante: levar sua garrafinha de água: durante a caminhada faz um calor de rachar, mesmo com todo o vento !


No final da caminhada o nosso bugueiro nos esperava lá do outro lado, em frente a uma barraca que vende bebidas (um oásis no deserto!). Demos nossa gorjeta ao guia, e seguimos viagem até a Praia das Fontes, que possui esse nome por receber água doce potável que descem das falésias. Uma dessas fontes fica dentro de uma gruta chamada Mãe D'água, de dentro dela se tem uma vista incrível da praia (foto abaixo).



De lá fomos para a última parte do nosso passeio de bugue: as dunas ! Ventos no cabelo, e o corpo já todo sacudido de andar 2 horas de bugue. Coisa de turista-gringa. Voltamos para o início da Praia de Morro, pegamos nosso carro-show (isso é estória para um outro post!), e fomos tentar almoçar num dos restaurantes que vimos na Praia das Fontes. Disse tentar porque acabamos não achando nenhum lugar legal, e resolvemos pegar a estrada atrás de outras aventuras. Na saída de Beberibe vi uma igrejinha, daquelas de novela passada no interior e parei para tirar essa foto aí embaixo, a minha favorita de todas as fotos !

8.3.06

Armação dos Búzios, RJ

A primeira escala desse blogue será pelas águas cristalinas de Búzios. Coloque seu bikini, passe o protetor solar, e prepare-se para embarcar nos dias mais paradisíacos de sua vida.


Escultura dos Pescadores

A cerca de 180km distante da cidade do Rio de Janeiro, Búzios é um daqueles lugares que você chega, e não quer mais ir embora. Foi assim com Brigitte Bardot. Foi assim comigo. Fui pra passar 3 dias, e acabei passando 5 ! E só não fiquei mais tempo porque as pousadas estavam todas lotadas ! Fui embora com a sensação de quero mais, muito mais.

As praias...

Alguns dizem que Búzios possui 26 praias diferentes, outros 25, outros 24... Não importa ! É praia pra todo gosto ! Praia balada, praia sossego, praia quase-virgem, praia pra ir à dois...

Pra quem gosta do buxixo, a ideal é Geribá (com sua Lagoa na foto ao lado), onde o povo mais moderninho se reúne. No verão é lá que rolam os shows. Particulamente, não gostei de lá: areia com cara de suja, muita barraca, muita muvuca. O dono de uma barraca tentou nos vender coisas com o preço acima da tabela do cardápio, e o pior, fomos seguidos pelo tal dono, pois recusamos a pagar o dobro e cancelamos o pedido. Ele nos seguiu e ficou aos berros anunciando que eu era carioca (eu carioca ? eles não gostam de cariocas lá ?). Fizemos a denúncia da perseguição e da extorsão para a Secretaria de Turismo da cidade, mas não sei que fim deu a estória. Um horror.

Pra compensar, descobri as Praias de Azeda e Azedinha (foto aí ao lado). Um paraíso escondido, por onde só dá pra chegar por uma trilha que sai da Praia dos Ossos. Ou então nos gostosos aquatáxis. Lá não tem barracas, e sim simpáticas canoas adaptadas de bar. Por 5 reais você aluga uma cadeira de praia, e mais 5, um guarda-sol. Leve o tal do livro, passe o dia lá. As canoas-bar servem você em sua cadeira, e você só paga no final. Um luxo.

João Fernandes é uma outra opção pra quem gosta de praia com mais conforto. Lá tem muitos restaurantes, do tipo chapéu-de-palha na areia. Além de ser o point da turma do mergulho. De lá você pega uma trilha pro lado direito e vai dar na João Fernandinho, rodeada de grandes hotéis e pousadas.

E, no meu guia de melhores praias de Búzios, recomendo a Ferradurinha, uma das mais bonitas praias que já visitei. Águas calmas, formações rochosas e aquela sensação de participar de um cenário de filme. Vá de aquatáxi porque é distante. Mas, imperdível !

Rua das Pedras. O coração de Búzios. Onde tudo acontece. Onde você vê e é visto. Bares, lojas, restaurantes, lavanderias, agências de viagem... você encontra de tudo. Gente bronzeada, gente querendo te vender um passeio de escuna, aquele teu vizinho chato, o gato que você viu de manhã na praia. A Rua das Pedras é uma alegria !É lá que você encontra a loja mais bonita da Osklen (o preço não é tão bonito assim) e o original Chez Michou, aquele do crepe maravilhoso, sabe ?

Depois da praia, vá na pousada/hotel, coloque sua roupa-praia mais descolada, uma sandalinha rasteira (esqueça saltos por favor) e caminhe para uma das noites mais badaladas do Brasil. O difícil é voltar de lá sem ganhar pelo menos um beijo !

Pagando mico em frente ao Guapoloco

Matando a fome !

Geralmente escolho onde comer pela cara do lugar. E, se tem muita gente ! Restaurante vazio eu não entro, passa a impressão que não é bom.

Há muitas opções em Búzios, de todos os preços também. Na Orla Bardot estão os melhores restaurantes. De comida japonesa à italiana, passando por francesa e lógico brasileira. Foi lá que eu tomei o sorvete mais caro da minha vida, na Mil Frutas, de lamber os dedos ! E de noite voltei para comer no Sawasdee, finíssimo, de comida tailandesa.

Já na Rua das Pedras fui conferir o famoso mexicano Guapoloco. Com uma fachada com cara de festa, é lá que ferve no verão. Comida é boa, mas poderia ser um pouquinho mais picante ! Ali perto, fica o lotadíssimo Chez Michou. Conseguir uma mesa é todo um trabalho de paciência, mas no final você se acaba com um crepe de chocolate... divino.

Nas ruas que cercam a Rua das Pedras, você também encontra muita opção. Infelizmente não lembro o nome da portinha onde fui comer sanduíche natural e açaí. Indo pela Rua das Pedras é só virar na rua da esquina Takatakataka*, seguir reto, e procurar a portinha do lado esuqerdo. Peça um suco, sente nas cadeiras do lado de fora e fique lá vendo gente bonita passar.

*Takatakataka = bar com um dono louquíssimo, que só deixa alguém entrar se ele for com a cara da pessoa,se não gostar bate a porta na cara do cidadão ! Uma lenda !

A hospedagem.

Toda viagem é sempre a mesma ladainha: fico horas e horas lendo guias, revistas de turismo, navegando por sites, para enfim decidir onde ficar. Levo em consideração o conforto, a localização e lógico o preço.

Em Búzios, escolhi a Pousada La Chimére na entrada da Praia dos Ossos. Cheia de charme, super confortável, decoração moderna, e tudo com cara de novo e arrumado. Café da manhã é servido em sua própria mesa, ao invés de buffet. Funcionários super atenciosos. A rua da pousada sai em frente ao fim da Praia da Armação, reduto charmoso dos pescadores, e início do calçadão da Orla Bardot. Andando mais 10 minutos vocês está na Rua das Pedras. Melhor lugar pra ficar impossível.

Agora, se você está cheio do dinheiro, vá para a Pousada Byblos sem medo de ser feliz. Fica no Alto do Humaitá, que nada mais é uma entradinha em frente a Praia da Armação. Lá do alto se tem a vista da frente de Búzios, com aquele mar e por-do-sol de hipnotizar. Quando passei por lá, babei de vontade, e já anotei que será minha "casa" na próxima ida à cidade.

OUTRAS DICAS

- Pra chegar à Búzios você pode ir de carro, pegando a ponte Rio-Niterói e depois do pedágio pegar à esquerda e seguir na direção São Gonçalo, e ainda à esquerda pegar a BR-101 Rio-Manilha e de lá obsrevar as placas indicando a Região dos Lagos. Muitos hotéis e pousadas oferecem traslados em vans, mas geralmente cobram uma fortuna. Eu fiz o trajeto mais barato, e muito confortável: peguei um ônibus leito da VIAÇÃO 1001, na Rodoviária Novo Rio, que me deixou na "rodoviária" de Búzios, onde peguei um táxi até a pousada.

- Leve o namorado(a). Búzios é um lugar romântico, e com cara de novela de Manoel carlos.

- Se você não tem namorado, mas fala inglês, se joga na Rua das Pedras e arrume uma boca internacional... mole, mole ! Arrisque também seu portunhol.

- Não esqueça de dinheiro extra, a tentação por lá é grande.

- Relaxe e seja feliz !

Vidinha mais ou menos.... Fim de tarde... vento, e muitas cores.